Aulas Digitais Na Faixa


Direto ao ponto

Para quem tem preguiça de ler

  1. Introdução
    Linhas gerais sobre o porquê de se escrever sobre isso.
  2. A nova mochila
    Aonde vamos guardar as coisas.
  3. O novo lápis e caderno
    Vamos considerar novas formas de se registrar as ideias.
  4. O novo livro didático
    Proponho novas formas de transportar o conhecimento no mundo moderno.
  5. O novo canal de comunicação
    Mantendo o papo mais livre que na escola.
  6. A Nova aula
    Como transmitir a instrução na internet.
  7. A nova prova
    Ser testado de forma a beneficiar e não punir.
  8. A novo lugar da escola física
    A escola física tem seu lugar também.

Escrevi uma longa introdução sobre porque escrevi esse texto. O texto acabou ficando maior do que eu acho que deveria mas resolvi manter pois é importante como fio condutor das minhas intenções. De qualquer forma, mantive o texto colapsado.

Spoiler Alert: quase tudo que sugiro aqui é usar as ferramentas grátis da Google para se ministrar aulas grátis.

Se quiser ler, basta apertar no botão:

Introdução

Disclaimer: Eu tenho uma forma meio dura de me expressar, principalmente quando tento ser preciso quanto ao que penso. Essa característica fica ainda mais acentuada quando escrevo, por isso, tente não se ofender ou se irar com meu estilo. Não é minha intenção magoar ninguém, é apenas minha opinião, não a expressão fiel da realidade.

Warning: Esse texto não pretende ser um curso pormenorizado de cada uma das coisas aqui expostas. Eu teria prazer em ajudar a ensinar quem quizesse aprender o que aqui exponho, porém estou apenas fazendo um esforço de imaginação que penso estar ausente e uma boa quantidade de escolas (principalmente na dos meus filhos).

O assunto que vou tratar aqui, honestamente, fica mudando a todo momento na minha cabeça. Eu acredito firmemente que a escola, como a conhecemos hoje, é ineficiente, cara, incoveniente e, em certos pontos, até desonesta. Por anos clamei, de reunião em reunião, mudanças e adaptações, critiquei os métodos até ser alçado á fama de “aquele pai antipático”, mas acabei desistindo depois de dezenas de “sorrisos amarelos” e “isso que você falou é válido”(sem nenhuma ação posterior). A verdade, pelo menos como eu percebo, é que escolas são negócios tradicionais, tocadas por técnicos engessados e com pouco interesse em realmente “sacudir” sua área com inovação. As escolas compram laboratórios de informática inúteis, sobre o qual quase ninguém ali tem a menor ideia de como operá-lo quem dirá usá-lo de forma didaticamente útil, pouco estudam sobre comunicação moderna, têm receio de adotar práticas mais conteporâneas de relação por acharem que isso aponta para uma certa obsolescência e por fim, é minha opinião, pura preguiça de evoluir mesmo.

Sou o primeiro a apontar o fato de que há toda uma cadeia vertical de autoridade que, em nome da administrabilidade proveniente da uniformidade, não conseguem outra coisa a não ser nivelar por baixo os indivíduos que, ironicamente, estão sendo preparados para a mais renhida competição (Vestibular/Enem). O paradoxo de desencorajar o espírito competitivo enquanto se caminha para uma seleção aonde “quem não ganha, fica para trás” é só uma das contradições que pulululam nosso sistema educacional. Outra contradição que muito me irrita, é a de que nos é permitido pagar pela educação de nossos filhos, desde que esta estejamos completamente subjugados aos mandos da Secretaria da Educação e do Ministério da Educação, que por sua vez se certificarão de freiar as escolas particulares ao máximo para que não ultrapassem demais as possibilidades das escolas públicas, que por usa vez encontram grandes dificuldades de mostrar bons resultados (por inúmeros fatores sociais, econômicos, políticos, etc). No Brasil, é bem sabido, a política é tornar igual pelas mais disponíveis semelhanças, frequentemente as piores e mais débeis características. Para que a “origem de todos os males modernos”, a quase metafísica “desigualdade”, não prejudique alguns, devemos compactar toda massa de cima para baixo. Não importa se o conjunto esteja aquém das possibilidades, desde que haja uniformidade. Não importa que sejamos incompetentes, desde que sejamos incompetens JUNTOS e IGUALMENTE. Admito a existẽncia desses poréns na política do nosso país, esses e muitos outros, mas não consigo aceitar calado, sem tentar hackear esse sistema ignóbil.

Dito e admitido essas coisas, quem discorda que um sistema vicioso tende a gerar agentes viciados? Acho que as escolas em geral, públicas e privadas, cansaram, se entregaram, se acostumaram com a situação e, verdade seja dita, abandonaram o melhor caminho de desenvolvimento, desistiram de emanar o ambiente mais excelente da nossa sociedade e se tornaram, com várias gradações, claro, repartições públicas (mesmo as escolas particulares) do ensino. Em repartição pública, quem faz o mínimo garante a eternidade de seu emprego. Nas escolas brasileiras de hoje, as secretarias, ministérios, sindicatos, faculdades, garantem que fazer o mínimo também é correr o mínimo de risco (para o bem ou para o mal) e as escolas se tornam, à excessão da posição socio/econômica dos alunos, enlouquecedoramente iguais.

Parabéns!

Houve quem demonstrasse competência e coragem

Escolas que acertaram

  • Instituto Gammmon: A tradicional escola presbiteriana de Lavras-MG. Meu pai estudou lá, eu também (tomei bomba, diga-se de passagem) e meus sobrinhos ainda estudam. O Instituto Gammon organizou todo seu sistema de maneira virtual. Aulas ao vivo por vídeo, lista de chamada, provas e acompanhamento implacável dos alunos (se faltar ou cair o rendimento a direção liga correndo para os pais). Do Básico ao Médio, todos tendo aula.
  • Colégio Nossa Senhora de Lourdes: Tenho priminhos lá, também em Lavras. A vida tem seguido normal, dentro das limitações, nessa escola também.
  • Escola Objetivo: Em Paulínea, interior de São Paulo, na escola de outros priminhos meus, a história de competência se repete.
  • Escola Internacional San Peter: Em Palmela, Portugal. Escola dos meus sobrinhos numa minúscula cidade. Essa escola se utilizou de ferramentas simples, disponíveis na internet para qualquer um, e manteve as aulas andando sem grandes dificuldades.

Quem tem filhos e já palmilhou muitas escolas à procura do “ambiente pedagógico filosofal” certamente concordará comigo que são TODAS muito semelhantes, para não dizer IGUAIS. Todas dizem o mesmo blá-blá-blá sobre transformar as crianças em “cidadãos conscientes” e em “despertar o pensamento crítico” enquanto tecem loas sobre seu sistema de ensino meticuloso e antenado com as últimas tendências pedagógicas. TUDO BESTEIRA! Todas são iguais, poucas são aquelas que não seguem uma linha pedagógica pré-fabricada vinda de uma subsidiária da Kroton ou de outras Krotons-wanna-be. Todas obrigam você a comprar um material didático caríssimo e intrasferível, como se o conhecimente humano fosse reinventado todo ano, que, francamente, não demonstram nada de superior aos antigos livros avulsos que usávamos, mas que demonstram uma linha pedagógica uniforme por todas as matérias, o que é bom, se a linha for boa, e ruim, se a linha for ruim. Meus filhos passaram Sistema Eleva (com pequenos escândalos espalhados aqui e ali), por Sistema Bernoulli (que muito deixou a desejar, pelo tanto que eu tenho essa escola em conta), Sistema Uno (normal, normal, normal…) e o melhor que eles pegaram até agora era uma escola que usava livros avulsos (algo em instinção) e que evidenciava maior variedade e flexibilidade pedagógica entre os professores. Eu e minha mulher, assim como outros pais em torno, nos sentimos num deserto educacional, sentimos que nossos filhos estão num estado de subnutrição pedagógica e só lhe dão guloseimas para comer, até deliciosas, mas sem valor vitamínico.

Daí, veio o COVID-19 e quebrou as pernas do sistema MacDonalds de ensino dessas escolas ciclópicas. Da noite para o dia a molecada ficou na rua, com o traseiro de fora, sem saber o que fazer. A escola/rede ficou apoplética, tomando providências ridículas, não porque não estava fazendo nada, até estava, mas porque estava muito, mas muuuuuito abaixo de toda propaganda de eficiência que nos fazem antes acordarmos a pagar mensalidades nada baratas.

Mas eu acredito que haja uma solução. Sendo mais preciso, existe uma solução para gente como eu: e é esta que aqui proporei. Não proporei nada “chique demais”, nada “caro demais” e nada “avançado demais”. Acredito que, em havendo condições tecnológicas, não há desculpas para que não haja aulas. “Condições tecnológicas” é um termo amplo que compreende desde a palavra falada e escrita, um lápis, um caderno, um livro, etc, até o computador, a internet e aplicativos de comunicação. É tolice cancelar aulas só porquê temos tudo, menos presença física. Há quem vá dizer que “nem todo mundo tem internet para fazer essas coisas”. Concordo. Por outro lado eu digo: “quem não tem internet para isso em uma escola particular, é um minoria esmagadora”. A pessoa, em uma escola particular, que não tiver internet para os estudos do filho, deve ser ajudado de alguma forma pela comunidade à sua volta, mas é importante notar que ele é uma minoria de fato. Lembra o que disse sobre “nivelar por baixo”? Da mesma forma que professor nenhum cancela a aula só porque o Joãozinho esqueceu o lápis, é inadmissível alegar falta de internet para pessoas que pagam uma escola particular nada barata.

A nova mochila

As novas mochilas

Serviços gratuitos de armazenamento de dados
Serviço    Espaço Gratuito    Escolha
Dropbox 2Gb  
OneDrive 5Gb  
Box 10Gb  
Google Drive 15Gb tableArrow

É na mochila que guardamos nosso material escolar. É a primeira coisa que pegamos de manhã para guardar os livros, cadernos e canetas que temos que levar. Aqui eu considero como mochila o lugar onde guardamos aquilo que produzimos. O que considerarei como “mochila” será os diversos serviços de armazenamento de dados em nuvem.

Existem diversos provedores de armazenamento de dados, geralmente eles oferecem um determinado espaço grátis e, caso queira, você pode pagar para obter mais espaço no futuro. A quantidade de dados gerados em 1 ano de estudo raramente vai exceder a capacidade de um dessas contas, de maneira que podemos considerar que o serviço sairá grátis para o ano letivo do aluno e da escola.

Os principais e mais conhecidos provedores de armazenamento em núvem são o Dropbox, o Google Drive, o Microsoft OneDrive, o Box, entre outros. Como usaremos vários serviços da Google e todos os seus serviços podem ser acessados à partir do mesmo usuário e senha, resultando em melhor integração, eu proporei o uso do Google Drive.

O novo lápis e caderno

Novos cadernos

Aplicativos para anotações avançadas e wikis
Aplicativo Sobre Escolha
CherryTree Eficiente.  
Zim   Simples e extensível.    
Simple Note Fácil e online.  
TiddlyWiki Tudo em um HTML tableArrow

O lápis e caderno são usados para registrar informações. Talvez eles sejam ainda mais importantes que o livro pois é através deles que o professor tem a oportunidade de “entrar na cabeça” do aluno quanto ao aprendizado. É importante que a ferramenta escolhida permita ao aluno (e ao professor) se expressar de forma rápida, desenvolta, criativa, enfim, que seja eficiente.

No melhor dos mundos, o professor teria acesso instantâneo ao caderno do aluno e o aluno, por sua vez, ao do professor. O instrutor e o instruído fariam parte da mesma rede de construção de conhecimento, uma relação bastante eficiente, como podemos ver em fóruns, redes sociais, etc.

Como lápis, propomos o Markdown (ou algum dialeto seu), um linguagem fácil e rápida para escrever textos e descrever layouts básicos que garantem a agilidade da inserção de dados. Como caderno, vamos usar uma wiki, que é um sistema especialmente engenheirado para tornar simples a acumulação e organização racional de texto. A wiki que iremos usar é a excelente e consagrada Tiddlywiki, que encontra possibilidades de uso online, offline e em virtualmente todos os sistemas operacionais existentes.

O novo canal de comunicação

A nova comunicação

Aplicativos para compartilhar voz, vídeo e mais
Aplicativo Sobre Escolha
Zoom seções de 40 minutos com até 100 pessoas  
Google Hangout   Tempo ilimitado, 100 pessoas no Google Meet.   tableArrow
Skype Tempo ilimitado, 50 pessoas.  

Escolha sua plataforma de comunicação. Existe uma quantidade enorme de provedores de comunicação com uma midiríade de variações em seus serviços (lembrem-se que estamos sempre partindo dos serviços gratuitos). A escolha do serviço provavelmente passará pelo número de pessoas, largura de banda, possibilidade de compartilhamento multimídia.

Cada serviço apresenta diferenças em quantos e quais tipos de mídia vão trabalhar, quantas pessoas podem participar ao mesmo tempo (lembre-se de que estamos considerando principalmente os planos gratuito) e qual a duração de cada reunião. O melhor dos mundos é quando podemos compartilhar voz, imagem da câmera, além de tela dos aplicativos. Compartilhar arquivos também é bom, mas é melhor tê-los preparados para download num servidor previamente.

Há tantos serviços por aí que é melhor que se use a que mais lhe agradar, vou aqui sugerir algumas. Por motivos práticos, aqui está sugerido o Google Hangouts pois, além da conectividade com os outros aplicativos da Google que usaremos, foi, em decorrencia da pandemia de Covid-19, aberto gratuitamente ao público.

A Nova aula

A nova comunicação

Aplicativos para compartilhar voz, vídeo e mais
Aplicativo Sobre Escolha
Forumotion Fóruns ilimitados, com propaganda na versão grátis  
Create A Forum Fóruns ilimitados, com propaganda na versão grátis  
Google Groups   Mais uma vez, escolha por conta da conexão com outros aplicativos da Google.   tableArrow

Tenho minhas dúvidas quanto a necessidade de se tentar replicar em ambiente virtual, a sala de aula tradicional. Não descarto completamente a utilidade de “sincronizar” a presença dos alunos/professores/colegas, mas a disponibilidade constante do aprendizado multimídia aumenta consideravelmente a capacidade de se desenvolver sozinho. Na verdadea internet já consagrou, de modo darwiniano, a forma de aprendizagem dela: a pessoa adquire o conhecimento da forma que lhe aprouver, quando há dúvidas ela as lança em um fórum ou seção especializada dentro de uma rede social, quando ela responde a dúvida do outro ela ganha”badges” o que lhe garante certa posição social. O melhor desse processo é que ele gera uma base fica com as dúvidas mais frequentes, que pode ser usada pelo professor para otimizar suas aulas.

Dessa forma, aconselho interação social, disponibilização de material e premiação pela participação. Sugiro, então, um ciclo de Aula-Dúvida-Monitoria. A aula pode ser ministrada de diversas formas, ao vivo ou gravada, as dúvidas podem ser sanadas através de fóruns e pode ser gravado um vídeo, depois que o professor receber o feedback dos fóruns, cobrindo as principais dúvidas detectadas.

A nova avaliação

Use o Google Forms, simples assim. Lá tem todas as ferramentas necessárias para se realizar uma prova, avaliar cada aluno ou mesmo avaliar a sala inteira de uma vez.

Se quiser complicar, invente regras (fale para o aluno filmar respondendo a prova, por exemplo, acertando horários para isso através de um plugin) ou peça para o aluno fazer fazer um trabalho com timelapse da tela e webcam (o que seria ridiculamente paranoico, mas fica a gosto do freguês). Mas vá por mim, o Google Forms é mais do que necessário para se fazer uma avaliação honesta.

O novo livro didático

Qualquer livro, página, wiki, vídeo, aúdio, em qualquer plataforma. As possibilidades são vastas demais para enumerarmos aqui. Seria melhor cada comunidade acumular e divulgar suas listas de materiais relacionadas aos objetos de estudo.

O novo lugar da escola física

Um lugar para se encontrar e praticar a educação física?

Falando sério, a escola física pode se tornar muito mais relevante como ponto de apoio do que como centro de tudo no mundo da educação de hoje. Os pais, além da escola “normal”, não raro levam os filhos para o Judô, Futebol, Ballet, Volley, grupo de Slackline, etc, a escola poderia ser um centro de extensão do aprendizado ortodoxo e realmente contribuir para a formação de pessoas diferenciadas (todas acham/dizem que fazem isso, mas sabemos bem, e acho que eles também sabem, que isso é empurrar demais a realidade). A escola física pode ser o lugar onde as crianças aprendem matérias práticas, que necessitam da instrução física, como artesanato, esportes, habilidades de vida (não as besteiras “anti-bulling” que ensinam sob esse nome, mas algo como “cozinhar”, “consertar um abajour”, “costurar uma roupa furada” ou “fazer a manutenção de um computador”).

Um escola com métodos de ensino, acompanhamento e avaliação à distância, pode atender muito mais pessoas ao mesmo tempo, pode oferecer preços diferenciados (por um custo operacional infinitamente menor) e pode extender seus serviços à áreas ainda não exploradas. Gostaria muito de ter a oportunidade de optar por uma escola verdadeiramente moderna, ao invés de ser OBRIGADO a engolir um produto (a palavra não foi descuidadamente escolhida) que francamente não entregar o que se propõe a entregar.

É uma pena que não tenha esperanças de ver isso funcionando ainda na vida escolar dos meus filhos, que só devem ficar mais uns 5 anos por lá, mas seria uma satisfação ver meus netos terem novas e mais eficientes opções.

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